Amigo visitante, devido a especificidade desta pequena série de trabalhos que chamo INCLUÍDOS PELA EXCLUSÃO, segue abaixo a DESCRIÇÃO DO PROCESSO DE PERCEPÇÃO dos desenhos que  foram feitos para serem vistos em um espaço que permite os movimentos de aproximação e afastamento do observador :

Os desenhos precisam que o observador se mova em recuo e aproximação. Próximo da imagem, na posição costumeira que o público em geral toma em relação a um quadro, o observador percebe uma quadrícula preenchida com tons de cinza e preto. Também pode notar uma representação evidente, no  caso do primeiro estudo (o que está logo abaixo e à esquerda),  a de um navio a vela. Ao recuar, o navio que era evidente, vai esmaecendo, tornando-se uma pequena mancha que só continua parecendo um navio à vela porque o observador o carrega na memória. Em razão inversa, com o distanciamento, a quadrículas cinzentas que se assumiam bidimensionais começam a contrariar o plano provocando a percepção de volume e revelando assim o surgimento de uma figura: um homem negro, pendurado  numa estrutura que lembra a de uma forca, surge surpreendendo o observador. Simultaneamente a imagem passa a revelar planos que sugerem profundidade. Quando o observador se aproxima novamente, a imagem  que conseguiu ver à distância se estilhaça numa malha quadriculada… mas não completamente, porque dela carregamos a memória. E é ela (a memória) que agora se confronta com a embarcação a vela.

Importante complementar este pequeno texto com a seguinte informação: para realizar os desenhos desta série,  parto de imagens com valor histórico, tais como as produzidas por Debret e por outros artistas que passaram pelas antigas colônias nas Américas e África.   Em geral ilustram as relações entre os colonos e representantes das metrópoles com os nativos e os escravos.